15 de fev. de 2011

Teremos Passado no Futuro?


Belém. Cidade com uma história gigantesca, sua história começa com a construção de um forte que protegeria toda a Amazônia, passa pela maior revolução popular do Brasil (talvez até da América Latina) até o século XIX e por último (estou citando os acontecimentos mais importantes) uma árvore que mudaria completamente o futuro da região, a seringueira que produz, a borracha que produziu a 3° maior cidade do país na época e suponho que a mais desenvolvida e anos chamados de Belle Époque. Belém é mesmo uma cidade com muita história, um professor dizia que é possível dar uma aula de história somente visitando locais dessa cidade.

Porém ao mesmo tempo que criamos uma história nós também a destruímos. Essas dias dois lugares históricos me chamaram a atenção sobre seu estado de conservação: o Mercado de Ferro do Ver-o-Peso e o Cemitério da Soledade. Dois lugares tombados e parcialmente destruídos.

Um mercado que é O Cartão Postal da cidade, maior construção da Belle Époque e até eleito por revistas nacionais como uma das sete maravilhas do país, mas está com vidros quebrados, luminárias destruídas, telhas das torres caindo, preciso falar da pintura? deve estar desde 2001 sem reparos (2001 foi a última grande reforma). O principal ponto turístico e símbolo de uma cidade já com grandes problemas e decepções nos últimos anos.

Falando do Cemitério da Soledade, outro grande símbolo histórico, lugar que outrora possui uma beleza singular rodeado por prédios cada vez maiores em uma dos lugares mais bonitos da cidade. Me arrisco a dizer que o Cemitério da Soledade é o Père Lachaise de Belém (comparação maluca com o conhecido cemitério parisiense). Porém um cemitério com mausoléus abertos, pinchados e quebrados. Isso faz lembrar um outro cemitério de Belém que não é tão histórico quanto a Soledade mas de grande importância, Cemitério de Santa Izabel.

Esses foram três exemplos, mas posso citar tantos outros: obras intermináveis na Igreja de Sant'Ana, colocar ordem na Praça da República nos finais de semana é importante e as necessárias obras ou reparos na Igreja das Mercês, Mercado de São Brás, Memorial da Cabanagem (única obras de Niemeyer no Norte), casarões e palacetes de Belém e casas antigas de Mosqueiro e Icoaraci.

Uma cidade histórica que está cada vez mais destruindo a sua história, essa é a Belém e como todos devem prever esse é o estado em que os governantes dessa cidade deixaram a antiga Paris N'Ámerica dos tempos da borracha, a antiga Metrópole da Amazônia, hoje com o título na vizinha Manaus. Solução? Sempre há e ela está a vem a cada quatro anos. Que história sobre a cidade iremos contar aos nossos filhos? Só a que ela já foi muito bonita?

PS: esse post pode estar sendo muito pesado nas suas críticas, por isso pensei em escrever que apesar dos problemas essa cidade continua sendo um lugar com prédios históricos sem igual (leia-se Igrejas da Sé, de Santo Alexandre, Basílica de Nazaré, Museu de Arte Sacra, Museu Histórico do Pará, Teatro da Paz, Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi, Estação das Docas, São José Liberto, Mangal das Garças...).

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